Para escrever um livro, alguns escritores buscam inspirações reais para conseguir desenvolver suas ideias. Antônio Junior seguiu essa ideia ao pé da letra.

Ele está desenvolvendo o projeto Caminhos Peregrinos, em que o objetivo principal é a busca pelo autoconhecimento através de caminhos de peregrinação ao redor do mundo.

Antônio iniciou o seu projeto com um dos mais conhecidos, o Caminho de Santiago da Compostela e acabou de retornar do seu segundo roteiro, a Via Francígena.

A intenção do Antônio é percorrer mais três caminhos peregrinos, como pode ser visto mais detalhadamente no site do projeto. Estamos acompanhando desde o começo e já estamos ansiosos para os próximos!

Foto: Caminho de Santiago da Compostela – Antônio Junior

 

Tivemos um bate papo com o peregrino e criador desse projeto desafiador e ele nos contou um pouquinho sobre como surgiu a ideia do Caminhos Peregrinos e qual o objetivo com ele.

O primeiro passo (para idealizar o projeto Caminhos Peregrinos) foi quando eu resolvi que faria novamente o Caminho de Santiago, só que desta vez, a pé. Eu já havia feito O Caminho de bicicleta e a minha vontade de voltar era grande.

Como já tinha sentido os benefícios da minha primeira jornada, acreditava muito que essa nova experiência me traria novos aprendizados. Era hora de Caminhar longas jornadas.”

Além disso, Antônio Junior nos explicou como foram os preparatórios para o desenvolvimento do projeto.

“Contei para minha esposa na mesa de almoço. Vinha pensando em silêncio e quando passei a ideia pra frente ela já estava formatada. A reação inicial dela foi de não acreditar que eu estava falando sério, mas logo ela entendeu que eu não estava brincando, pois minhas ideias já estavam bem avançadas.

Daí em diante eu comecei a compreender melhor a logística, custos e disponibilidade de tempo, já que trabalho atualmente na gestão de um hotel. Tudo que é bem planejado tem maiores chances de serem concretizados.’’



Como resultado da primeira etapa do projeto, foram lançados por Antônio dois livros sobre o Caminho Santiago de Compostela. O primeiro foi um livro fotográfico, o segundo, lançado recentemente, foi uma obra escrita sobre a peregrinação espanhola.

Antônio explicou o porquê de ter lançado dois livros sobre Santiago de Compostela:

“O livro de texto (segundo livro) foi uma analogia do caminho de Santiago com o caminho da minha vida. Assim, contei muita coisa da minha vida lá.”

Perguntamos ao Antônio como será abordada a Via Francígena em seu projeto. Segundo ele, a continuidade se dará através de um livro fotográfico que será lançado.

 

A Via Francígena é uma peregrinação pouco conhecida, então contaremos um pouco sobre ela, juntamente, é claro, com alguns relatos do Antônio, que a vivenciou a tão pouco tempo, entre abril e maio de 2018.

 

Um pouco sobre a Via Francígena

Foto: Via Francígena – Antônio Junior

A peregrinação Via Francígena é o nome dado para uma antiga via que liga a França até Roma na Itália. Porém um detalhe curioso é o começo da via, o ponto de partida dessa peregrinação é na Inglaterra.

Essa via é uma das três peregrinações mais famosas da idade média, juntamente com a Terra Santa em Jerusalém e Santiago de Compostela na Espanha.

A rota, também conhecida como Via Romea, foi muito importante para aqueles que pretendiam visitar a Santa Sé e os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo.

Inicialmente o caminho era chamado de Lombrado, só depois, em 725 D.c que ele começou a ser chamado de Viagem Francesa para enfim, em 876 D.c, o atual nome ser mencionado pela primeira vez.

A Via Francígena possui diversas rotas adjacentes que aumentam e diminuem de acordo com a demanda do comércio e da quantidade de peregrino.

O caminho possui um total de 1700Km e pode ser feito com um tempo de 1 mês até 2 meses e meio.

Antônio percorreu parte da via, 1117 km, e nos contou sobre a sua preparação para enfrentar essa peregrinação.

‘’Levei 35 dias. Geralmente eu diminuo o tempo que geralmente se gasta para percorrer o determinado trecho. Em dois aplicativos que são usados para direcionamento de rota, planejamento e execução da caminhada, a programação é de 45 dias. Ou seja, em meu roteiro acabei diminuindo 10 etapas.’’

Já sobre a sua preparação física, que tornou possível esses 35 dias de caminhada, Antônio completou:

“Sempre estou na ativa com relação à corrida. Gosto de correr nas montanhas da minha cidade e isso já me mantem em forma. Mas caminhada é diferente e por isso treino caminhadas alguns meses antes. Nesse caso da Francígena eu treinei por dois meses. A diferença com relação ao Caminho de Santiago foi treinar com quase toda a carga que usaria em viagem, 18 quilos”.

Na Via Francígena, há inúmeras reclamações sobre a falta de infraestrutura dada para os peregrinos. Antônio levantou essa questão e ainda comparou a Via com o caminho de Santiago de Compostela.

‘’ A sinalização foi o ponto que mais me chamou a atenção. No Caminho de Santiago as setas amarelas estão espalhadas por toda parte e dificilmente você se perde. Já na Via Francígena, principalmente na primeira região – Vale D´Aosta – a sinalização deixa a desejar e um GPS se faz muito necessário. Mesmo com um GPS em mãos, não devemos deixar de estar atentos às placas indicativas.”

O escritor falou que as chuvas torrenciais, dores musculares e a altimetria foram os fatores que mais o prejudicou no trajeto e contou o que o ajudou a superar essas adversidades.

‘’Foco. Nessas intempéries dificilmente você chega ao objetivo final se não tiver foco. Dificuldades serão sempre encontradas, e em algumas vezes, as condições externas impactam diretamente o seu caminho. Por isso acredito que FOCO seja essencial.”

E claro, por se tratar de uma via pouco conhecida pela maioria das pessoas, Antônio deu algumas dicas para concluir o caminho.

‘’Primeiramente estude o trajeto e pense nas dificuldades de altimetria e distâncias. Existem trechos longos sem estrutura alguma ou apoio, ou seja, você deve levar alimentos e água contigo. Outra coisa, leve contigo um GPS ou um celular que tenha instalado algum APP da Via Francígena. Recomendo dois: Sloways e Via Francigena.”

Outra dica dada por Antônio, foi a importância de haver um Plano B e de que ele tenha o mesmo grau de dificuldade do Plano A. Podemos aplicar essa ideia não apenas para longas caminhadas, mas em várias outras situações da vida. Assim, evitamos a tentação de ir pelo caminho mais fácil, que muitas vezes, não nos trará tanto aprendizado.