Animais de estimação são queridos ao redor do mundo, os mais comuns são cachorros e os gatos, porém há uma diversidade muito grande de animais que podem conviver lado a lado com você diariamente.

Tigres, araras, aranhas, serpentes, rapinantes e muitos outros são exemplos de bichos que servem como animais de estimação, porém não são muito comuns.

 

 

Por serem animais mais caros para manter e necessitarem de cuidados e atividades diferentes, tornam específicos para pessoas que trabalham com isso ou têm como hobby passar seu tempo livre com animais diferentes.

Victor Hugo Martins Machado, de 21 anos, estudante de Ciências Biológicas, é apaixonado por animais ‘’não convencionais’’, possuindo alguns bichos bem peculiares(imagens acima) como araras e alguns rapinantes.

Ele conversou conosco e disse que a paixão vem desde pequeno:

Eu brinco que já nasci querendo trabalhar e ter maior contato com animais, principalmente os silvestres e exóticos. Desde muito novo sempre queria ver, entender e cuidar de vários animais que pude ter contato durante a minha infância. Acho que foi por isso que escolhi o curso de Ciências Biológicas como profissão e vida.

 

Além disso, Victor conta qual foi o primeiro animal não convencional que ele teve:

Meu primeiro ‘’pet não convencional’’ foi uma Jiboia-amazônica(Boa constrictor constrictor) chamada Tereza, que veio de um criatório licenciado chamado Xerimbabo. Após um tempo e após mais estudos, sobre as necessidades e cuidados, eu fui adquirindo outros animais.

 

O estudante de ciências biológicas possui animais considerados perigosos, pelo menos para os leigos no assunto, pois para Victor os rapinantes podem se tornar fiéis escudeiros:

As aves de rapina, grupo composto por gaviões, águias, falcões, corujas e urubus, que são predadores, mas que infelizmente possuem uma fama um pouco preconceituosa, não são estes monstros e seres letais como podemos ver em vários lugares, são animais que se tratados com respeito e conhecimento podem se tornar fieis companheiros.

 

Outro ponto que impede a obtenção de bichos exóticos é o instinto selvagem do animal, que por mais caseiro que ele seja, ainda possui características selvagens dentro de si.

Victor falou como ele trabalha o instinto do animal comparando com a evolução humana:

Não há forma de controlar os instintos de qualquer ser vivo, até hoje tudo que fazemos está relacionado com os nossos instintos, que foram modelados pela evolução e pela seleção natural, o que mudou foi apenas a metodologia e meio no qual vivemos. Não é diferente com os animais.

Nenhum tutor que se preze deve tentar controlar ou conter tais comportamentos. Seria como um Jurassic Park versão moderna, com animais estressados e judiados por não poder fazer o que seu instinto induz.

 

Ele completa falando que não basta ter o animal, precisa entender as suas necessidades:

Então para qualquer animal o tutor deve conhecer, primeiramente, o seu animal e entender suas necessidades, para que assim ele utilize de metodologias para se trabalhar e treina-lo para que ele estravasse estas necessidades e melhore alguns aspectos não positivos.

 

Há diversas formas de treinar um animal, no caso do Victor, por possuir rapinantes(falcões e águias) ele costuma usar muito a falcoaria para treinamentos das aves.

 

FALCOARIA

 

A falcoaria ou cetraria é a arte de treinar rapinantes para a caça. No Brasil, o método é usado para a reabilitação das aves e para o controle da fauna.

O IBAMA(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não tem uma lei especifica para a falcoaria, pois desde 2007 o órgão sofre com divergências internas.

O método é comprovadamente eficaz nas duas frentes que atua(controle de fauna e reabilitação de rapinantes).

Mas antes de qualquer treinamento, é necessário passar por algumas etapas e Victor contou um pouco sobre as etapas e sobre os treinamentos.

Na falcoaria antes de se alcançar a etapa de voo livre é necessário que o Tutor passe junto com o animal por uma série de etapas para que tanto a ave quanto o falcoeiro fique aptos e passem a confiar um no outro. E para o manejo utilizamos equipamentos de segurança, como um linha(chamada de fiador), jazz e bracelete, que são equipamentos básico para o treino de falcoaria para que o animal não se perca ou tenha algum problema durante o treino.

 

Alimentação

A alimentação desses animais também é um empecilho para quem quer adquirir bichos exóticos.

Um caso conhecido é dos tigres do Mike Tyson, famoso lutador.

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Ele adquiriu os tigres depois de conseguir muito dinheiro decorrente da fama, mas por problemas financeiros teve que vender os animais, que custavam em torno de 4000 dólares mensais apenas em alimentação.

O jovem entrevistado falou que a alimentação dos animais não é o problema e que os gastos não são tão altos.

Para as araras e os tucanos eu utilizo de uma ração própria, chamada MEGAZOO. Mas para animais carnívoros, como as serpentes e as aves de rapina, não existe ração especifica e por isso ofereço alimentos compatíveis com o que eles comeriam na natureza como pequenas aves e mamíferos, principalmente ratos de laboratório, provindas de biotérios.

O custo maior é com a ração das araras e tucanos, que varia entre 200 a 250 reais a cada dois meses, pois costumo me organizar e comprar os produtos em maior quantidade e eu crio uma rotina e um manejo para que o desperdício seja mínimo. Já o alimento dos carnívoros através de parcerias, trabalhos de educação ambiental e reabilitação, consigo boa parte por doação, mas sempre tenho lugares de confiança e mais baratos para adquirir o alimento dos meus animais, que pode variar muito.

 

Além das aves, Victor também possui algumas serpentes e ele conta sobre algumas peculiaridades delas e sobre algumas leis envolvendo serpentes peçonhentas:

Minhas serpentes não são peçonhentas. Devido ao fato de que elas possuem dentição áglifa, adaptada para capturar presas e mata-las por constrição. Não é permitido serpentes peçonhentas como animais de estimação, os únicos lugares que possuem permissão são centros de pesquisas e sítios de criação e extração de veneno com o intuito de fabricação de soros antiofídicos e para estudos moleculares da peçonha.

 

Todo animal precisa de um tempo livre para relaxar e praticar alguma atividade física, porém fugas costumam ser comuns para donos de cachorros, que são considerados animais de estimação ‘’normais’’. Victor falou um pouco sobre esse assunto:

Fugas são esperadas no manejo de qualquer animal. Então cabe ao tutor certificar que o recinto está 100% seguro. Quando era menos experiente já tive fugas, principalmente com as serpentes, que por conhecer o comportamento foram fáceis de encontrar. Mas no caso de fuga de uma ave, por exemplo uma coruja, se esta for treinada chame-a de volta, mas se não for um animal treinado busque auxilio de órgãos responsáveis e centros de triagem para que caso chegue algum animal documentado eles entrarem em contato com a pessoa.

 

CERTIFICADO E OBTENÇÃO

Para obter esses animais, é necessário que o mesmo tenha nascido em criatório licenciado.

Além de que para manter o animal é necessário um certificado, que funciona como uma certidão de nascimento e uma identidade, e fica documentado em um órgão especializado como o IBAMA.

Victor falou um pouco sobre esses procedimento usando os seus animais como exemplo:

Para se ter um ‘’pet não convencional’’ é necessário que este tenha nascido em um criatório licenciado pelo IBAMA. Animal que vem do criatório possuem um documento de nota fiscal, com todas as informações dele, além de um registro que fica junto com seu bichinho, podendo ser uma anilha(no caso de aves) ou um microship(no caso dos répteis), tal identificação é colocada no animal na primeira semana de vida, garantindo assim total legalidade do animal. Tal ‘’certificado’’ é por animal e que dura para toda a vida do animal.

 

Agora vocês já sabem, não é segredo ter um animal diferente em sua casa, porém requer cuidado e dedicação.

Se você conseguisse ter um animal diferente, qual animal você teria? Confesso que eu não sairia do convencional, mas teria uma espécie de cachorro diferente, o Cão Lobo.