Viajar é muito bom! Conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes faz com que a manete se abra para novas oportunidades e amadureça em vários sentidos.

Porém, viajar exige um investimento que, dependendo do lugar que você vai, pode ser bem alto.

No entanto, há várias opções para reduzir o custo, como por exemplo o mochilão. Que, basicamente, é organizar tudo que você tem em uma mochila e curtir o passeio por diversos lugares. Geralmente sem um roteiro muito engessado.

A economista Michele Martins Moreno, de 30 anos, já fez dois mochilões, América do Sul e Europa e contou para gente um pouco da sua experiência.

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Segundo ela, a paixão por viagens vem desde 2013, quando ela realizou um intercâmbio para a Nova Zelândia:

Eu sempre tive o sonho de morar fora do Brasil, e minha primeira oportunidade de sair do país foi em um intercâmbio para a Nova Zelândia em 2013. Lá eu tive a oportunidade de estudar e viajar de carro pelas duas ilhas(Norte e Sul).

Conheci paisagens incríveis, uma cultura muito diferente da nossa e me apaixonei. A NZ é meu país preferido. Foi onde eu descobri minha paixão por viagens, e assim que voltei ao Brasil me programei para a próxima. Agora só viajo de mochila praticamente.

 

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Michele falou um pouco dos motivos do mochilão ser mais barato que uma viagem comum e alertou para algumas situações:

Um dos motivos de ser barato é porque geralmente quem se dispõe a mochilar está disposto a fazer tudo sozinho, ou seja, nada via agência de viagens. Claro que tem algumas exceções principalmente na América do Sul. Países onde a maioria dos passeios são na natureza devem ser feitos com guias credenciados e o pagamento deve ser efetuado via agências de viagens.

 

Ela também falou um pouco sobre os preparatórios da viagem e a questão de pesquisa dos preços e burocracias envolvendo a viagem:

No meu primeiro mochilão, eu pesquisei as passagens com antecedência. Olhei as companhias mais baratas e com as melhores opções de pagamento. Digo isso, pois quem tem cartão de crédito vinculado a programas de fidelidade tem maiores facilidades para pagar passagens entre outras vantagens.

 

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O planejamento também foca em gastos e contra tempos que os mochileiros podem ter durante a viagem, Michele falou um pouco sobre como ela se prepara para isso:

No meu planejamento eu costumo levar entre 2000 a 2500 euros/dólares em dinheiro e um cartão de crédito para emergências para uma viagem de 20 dias. Dentro desse orçamento, incluo gastos com hospedagem, comida, passeios e comprinhas. Geralmente sobra um pouco de dinheiro, mas é um valor com folga para pequenos imprevistos. Melhor sobrar do que faltar, né?

 

Hospedagem durante viagens desse porte é sempre uma incógnita devido a vários fatores como preço, qualidade do local e acessibilidade.

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Michele Moreno deu dicas para evitar transtornos referentes à hospedagem e, de quebra, economizar uma graninha:

As hospedagens eu pesquisei com antecedência. Pedia indicações a amigos que já tinham ido ou procurava pelo booking.com. Apesar de ter outros sites, eu ainda acho esse melhor e mais intuitivo para pesquisas.

Uma saída para conseguir reserva mais barata é usar o booking para pesquisas e depois procurar o site oficial do hotel/hostel e reservar diretamente com eles. Assim, não pagamos a ”comissão” do site de pesquisas.

Geralmente as hospedagens pedem um cartão de crédito para segurar as reservas(inclusive hostel), então quando chegava nos locais eu pedia para retirar o cartão que eu pagaria tudo em dinheiro.

 

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Com uma rotina tão exaustiva, o mochilão deixa o viajante cansado, então além de aproveitar bem as noites de sono, comer é super importante para manter o corpo ativo. Michele falou como ela fazia os lanches durante os mochilões:

As refeições, o mais barato é comprar as coisas em um mercadinho e sempre levar snacks(barras de chocolate/proteicas) na bolsa.

 

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Claro que quando viajamos, queremos conhecer e experimentar coisas novas e ficar a viagem toda comendo pão recheado com frios(presunto e mozzarella) não fará com que você conheça mais sobre a cultura local, então Michele já deu o caminho das pedras:

Recomendo tirar um dia para investir um dinheirinho a mais e comer em um lugar legal para conhecer a culinária local.

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Para não termos dores de cabeça durante as viagens, é recomendado pesquisar os locais e criar um guia de onde ir o que fazer, Michele, mesmo querendo mudar a rota algumas vezes, se manteve firme no roteiro pré definido e ainda deu dicas de como escolher os lugares para viajar:

Meu planejamento foi prévio, mas confesso na hora ter tido vontade de mudar o roteiro. Mas no fim mantive o meu planejamento. Eu pesquisei muito sobre os lugares que eu mais gostaria de conhecer. Pesquisei o que fazer/conhecer dentro do que eu gosto.

Acho isso importante para qualquer pessoa que for viajar: ir para um lugar onde você se identifica, senão acaba sendo uma viagem qualquer e você não tira o máximo que aquela experiência pode te dar. Se eu gosto de praia, busco lugares com praia, se eu gosto de frio, busco lugares frios. Procurei seguir essa lógica.

 

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Como de costume quando viajamos, comparamos as experiências com o nosso dia a dia ou com outras experiências que tivemos, Michele fez dois mochilões em continentes distintos e comparou a Europa com a América do Sul:

A Europa tem muito mais estrutura para receber mochileiros. As estruturas de alguns hostels é impressionante. Certa vez fiquei em um que tinha piscina aquecida, salão de jogos, sauna e restaurante.

Outra vez fiquei em um super tecnológico que se fazia tudo via cartão magnético e a iluminação/som do quartinho via celular. Mas também tem lugares que só te fornecem a cama e um banheiro.

Na América do Sul, teve lugar que eu optei por Airbnb, porque não tinha hostel. E a qualidade da maioria dos hostels por aqui são similares as nossas pousadinhas de praia ou interior. Tudo bem simples, algumas com internet paga, algumas sem internet

Isso não significa ser ruim, só menos estruturado no sentido de fornecimento de serviços. Algo com mais estrutura é difícil encontrar a preço de mochileiro na América do Sul.

Mas falando um pouco sobre o Airbnb, eu nunca achei uma opção mais barata que hostel a Europa. Talvez se a viagem for em galera, valha a pena dividir os custos, mas sozinho ou em casal eu ainda não encontrei.

Na América do Sul já tem umas opções que valem mais a pena que hostel, principalmente se levar em consideração localização e a privacidade que muitas vezes não temos em hostel.

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Depois de tantas aventuras e viagens, Michele ainda não se cansou, quer conhecer mais lugares. Quando perguntada se pretende  fazer outro mochilão, ela foi direta e já até marcou data:

Mas claro que sim! Estou com um mochilão pela Ásia baixa agendado para o 2° semestre de 2019. Pretendo conhecer lugares como Indonésia, Tailândia, Malásia, Cingapura, Vietnã, Camboja e Nepal(subir até o 2° acampamento do Everest).

 

Ela ainda enumerou as expectativas para essa viagens:

Expectativa número 1: Choque cultural, principalmente na alimentação. Estou indo disposta a provar grande parte das comidas, mas há um receio de só encontrar espetos de escorpiões pela frente.

Expectativa número 2: Me superar fisicamente, afinal não é uma tarefa simples subir o Everest. Mesmo que seja só um trecho, exige um bom preparo físico.

Expectativa número 3: Praticar um grande desapego tecnológico. Conversar mais com as pessoas, aprender novas culturas, registrar tudo, mas postar e enviar mensagens de forma moderada. Os asiáticos são muito evoluídos e tem muito a nos ensinar.

 

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Com muitas experiências e conhecendo vários culturas, Michele disse como viajar ao redor do mundo moldou a personalidade dela:

Antes de mochilar eu tinha uma visão/perspectiva da vida. Quando voltei do primeiro, o modo como encaro a vida é completamente diferente. Antes eu queria comprar um apartamento para mim, casar e ter um carro. Hoje eu posso dizer que tenho poucos apegos materiais e dou muito mais importância as experiências do que as coisas.

Eu não tenho carro, nem casa, nem moto, nem nada de muito valor financeiro, pois o dinheiro do meu trabalho eu procuro sempre gastar em viagens e experiências novas. Não estou dizendo que isso é uma regra, mas que é sentimento meu. Experiências são momentos que ninguém tira de você, como um carro se leva num assalto por exemplo.

Então eu aprendi a dar mais valor aos instantes, mesmo quando não estou viajando. Hoje se eu vejo uma criança brincando ou sorrindo na rua, eu sorrio de volta, se o céu está multicolor e se o pôr do sol hoje está mais bonito que ontem eu agradeço por aquele momento. As minhas viagens me ensinaram a prestar mais atenção nessas coisas do que no trânsito diário, ou no metro lotado com gente mal educada.

Tirar lições boas de momentos ruins também entra nesse pacote e busco essa linha de vida todos os dias. Quando morremos não levamos bens materiais, só as experiências que tivemos na vida, então aprendi a dar mais valor a elas do que adquirir coisas. Não estou dizendo que nunca na vida vou querer um carro ou uma casa, só que não são mais minhas prioridades na vida.

 

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Para finalizar, Michele deu algumas dicas para quem pretende fazer um mochilão:

Mochile porque é uma vontade sua! Um sonho seu! Não porque seus amigos ou alguém fez. Porque na hora de carregar a mochila pesada, ninguém vai carregar por você. Na hora de organizar a bagunça, fazer e desfazer a mochila a cada 2 dias, é só você que vai ter que lidar com isso. Então vá porque está disposto a passar por tudo isso e entre outros perrengues.

 

Outro ponto que Michele frisou é a questão da compra de uma bom equipamento principalmente mochila, e o que levar nela:

Compre uma mochila boa. Acredite, vale o investimento! Jogar ele no vagão dos trens ou mesmo despachá-las no aeroporto desgasta, suja e dependendo até rasga a mochila. Então comprar um material não tão bom pode te deixar na mão.

Pesquise também sobre o que levar ou que é essencial. Mochilar também tem um pouco de minimalismo. Muito importante levar somente o que for usar e necessário para o lugar que você vai.

Lembrando que quanto mais coisas você levar, mais peso você vai carregar. Então calcule os dias e as roupas para cada dia que vai ficar tudo bem!

Caso forem muitos dias, inclua no orçamento pagar lavanderia dos hostels, pois vale mais a pena do que carregar mais peso com muitas roupas. Aliás, opte por roupas e calçados confortáveis SEMPRE, pois você irá andar muito. Evite bolhas nos pés, assaduras e seja feliz.

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Ainda falando sobre culturas e trocas de experiências, Michele aconselhou que se você for fazer esse tipo de aventura, vá de mente aberta:

Mochilar também é conhecer muita gente nova e compartilhar culturas diferentes da sua. Então vá de mente aberta e disposto a sair da sua zona de conforto. Esse é o tipo de experiência que você leva para vida inteira e ninguém tira de você.

 

Lembrando que mochilar exige muita determinação, pois é uma rotina muito exaustiva, mas que rende inúmeras experiências incríveis. Aproveite os mínimos detalhes e viva a vida.

 

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida

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